18 de fevereiro de 2010

que nome vc daria

retalhos de uma dor provocada nos ouvidos
o que doía era o que ouvia ou o que adornava seu aparelho de escutar?
respingos de uma tintura amarelada para diferenciar seus pensamentos
o que clareara seriam as idéias ou os fios de seu objeto de fazer pensador?
resquícios de um desejo ínfimo ?
de esgotar-se em si em palavras?
dissolvê-las em ferventes águas?
em um líquido de beber-se
o que queria era embriagar-se de seus próprios devaneios
e encontrá-los num palco de um cabaré
ou era o que queria
apenas dopar-se...
Para fazer dormir seus pesadelos de menina
que nome vc daria?
que nome eu teria
que nome era o seu para essa contextualização de minha vida?
eita, porra... que coisa chata essas mesquinharias...
que coisa boa!

5 de fevereiro de 2010

tolices DE SER O MUNDO DE UM SER DE ABSURDOS

não podia
não era majestosa
nem se quer queria
mas na mediocridade de suas bactérianas idéias
conhecia-se tola
e sabia por tolice
o sinônimo mesmo de todas as coisas
coisas = do homem= do mundo
a certeza de que tudo pode tornar-se um absurdo
é por não - não ter outra referência
não ter outra ciência
que não a sua
surda!
era da dor o que tirava o seu estranhamento
era dor que produzia seu contentamento
era agonia
tristeza também
isso era o seu absurdo
o imundo íntimo de uma natureza sempre igual
isso quer dizer humana
acúmulo desigual de tempos
asfaltos concretos
o verde natural sempre foi fundo e não folha
aaahhhh...
era bonito encontrar-se nessa misereza toda
e todo era o ser
o tolo
tudo isso era tudo o ser
igualmente inventado pra doer
e o seu ser?
esse era ou foi ou seria e será o sempre o seu jeito!
seu de ser tola
seu de mundo
de trocar e ter idéias e trocar de idéias
seu de absurdo
de Imundo
e o SEU, tolo,
- QUAL HÁ DE SER?

21 de janeiro de 2010

E mais uma vez tornou-se outra, e dessa vez Tinha



quando não podia
ou quando temia
lamentava viver num marasmo brutal
ausente de fantasias
e
nesses dias
fazia questão de não se lembrar
logo não demorava muito
sua vida logo esquecia
só pra inventar-se
e era como queria
no meio de suas volupiosas ruas interventivas
calçava-se -se de todos os sonhos
de todos os monstros que tinha
e o amor que por lá sempre fez sua caminha
era dela devoto
e o seu era entregue por um carteiro
que se chamava Demasia
a realidade
ali
tão cheia de verdade
pura em si
ou seria ela tão burra?
se fosse uma coisa
seria uma intempestiva-colorida-de-letreiro-neon-macia
o que mais a fazia sentir?
o que sentia se
sentia-se
era
assim
tão áspera como a seda que a vestia
tão ríspida quando ternura que a envolvia
tão frígida quanto o desejo que ela expurgava
tudo fazia quando esquecia
tudo dizia inventar
até um jazz na vitrola da vodka
no pé do samba
um palco pra tomar o seu chá
no ouvido do pé
até uma xícara de cigarro
e uns meninos-de-café
então decidiu:
Tata
mais
não!
ela era...
mais uma vez outra
e dessa vez
T I N H A
e de Muchacha ainda
pois não descasara de sua porção medíocre e latina
Tornou-se mulher do raio
bailarina de um xequeré
e seu pandeiro cantava como um chocalho
Então Tinha por que?
era Tinha não de te-tinha
mas de pre-ta que era
de miudinha
e não de passado
agora alguns de seus meninos também eram chiclés
por que Tinha herdara de seu Orixá-Pai
a esquerda de todos os santos
e seu lindo Cabaret!

Com devoção virada,
Tinha (ainda) Muchacha

sem mais outra vez

outra vez suas besteirinhas
suponho que não saiba
não pode saber outra coisa além do que cabe o mundo que gerou você


que não pode suportar nenhum outro gosto
que não o das folhas
insípidas
mexidas pelas suas besteirentas brisas

outra vez suas besteirinhas

besteirinhas tão pequenininhas assim
acabam por incomodar mamãe
e quando ela vem precedida do adjetivo MINHA
se fala da D. dos Ventos
e eu como sua filha
e eu sou seu ensaio tempestuoso
uma quase-tempestade-menina

e...

Meus anseios são atrovoados
meus medos são...

raios
outra vez suas besteirinhas

ai que coisa chata são elas
exclamo

mas incomodam pois fazem cosquinhas
e destruem as minhas saborosas folhinhas
sem a menor prévia necessidade compreendida

acho que quero com a mesma desnecessária vontade
e sem mais
sem nenhum outro-outra vez
sair dessa vez

antes que seja tarde e a minha tempestade
avaste tudo
essa e a minha VEZ!

2 de dezembro de 2009

desenhei com dois i

não tem você aqui
fui eu quem abusei de mim

lambusei
mas
descobri a delicia indiscreta das minhas feridas
e
se não me engano
não vi seu vocÊ por aqui

eu andei de tatu
fui ao japão com bicicleta
ganhei um beijo escondi-o na perna

e nada de você em mim


desenheii e voou meu balão na pedra
comi arroz no dia da festa
chamei seu vizinho de... besta
e o resto acho que esqueci!

parti...
deixei pra você
por aqui um pedaço
da minha festa

e do doce-delicia q me fez sair...

2 de novembro de 2009

essa sua não visita

hoje empenhei-me na derrota
não compro briga pra amor
se amar for desprezar meus dedos que tanto lambusaram você por aqui
posso estar errada em quase tudo
mas posso também saber quem sou
essa é a dose mais silenciosa da minha própria pessoa em-bebida
e foi aqui,
nessa mesma localidade onde me-sei-de-mim-minha
foram nesses dias
que não encontrei você
ao invés de consumida a flamejantes insistentes desesperos
troquei la-grimas por la-ranja ou c-vitaminha
e agora
essa tinta-minha não se exita mais com a esperança da sua visita
e sim
teme tingir vocÊ nessa pequena agonia
leve tristeza constatadora de estar viva
de estar sozinha
de você amargar
hoje lamento empenhar-me em não querer mais
ainda sim, nessa minha cozinha onde fervo as águas
de passar o meu chá
há uma geladeira
que teima em te conservar
devo estar errada em crer que perecível sendo
uma hora não vindo ao meu prato
ainda há de estragar?
No aguardo

que.. vc bem que... não aparecia!

nenhuma visita sua
tardia hora escolhida para me observar
maldita eu
que aqui
sempre te faço referência despida
palavras de uma minha tão desnuda
dedos tão fracos
mas tão embebidos em fartos d-de-desejos
mas com você só privações
temo pelos dias que virão me trazer indícios
de que eu nada deveria esperar
de que ceguei a ponto de não notar o desprezo que você...
que você bem que podia
que...
vc não apareceria
que
nenhuma visita sua?
será mesmo essa a sua triste comovente saída?

3 de setembro de 2009

nos outros contos

reverberavam em mim como em ebulição
exitando-me
provocavam ali
no centro cardíaco da minha U.T.I
uma movimentação que pareciam aguçar meus íons
revelaVA os negativos de uma angústia
que parecia que podia ser

minha




as imagens que surgiam nas fotografias das memórias
que essas sim,

sabiam-se minhas
acusaram
enfim
a sempre presente formação torrente
dos tor-nados intempestivos de uma fúria-de-menina
ventos de corrente?
monho de manto
coberta da angústia
que sob muito custo
e que até então
estava...
era...

Adormecida

será que era bela como nos outros contos?

23 de julho de 2009

mas era preciso

nada permaneceria no lugar
nada do que eu havia percorrido
nada sobreviveria ao julgamento
nada do que deveria ser selecionado
nada para guiar a novidade
nada para abrigar outras cidades
nada

nada de nada
sinônimo de coisa nenhuma
de algum... NADA

mas era preciso

era preciso
era preciso
era preciso
eu preciso era
eu era
eu hei de encontrar outras chaves
ou compraria outras portas?

13 de março de 2009

Coisas do nada em mim

nesses dias nada
era também o que me bastava
não suportava o atraso do meu pensamento
o descaso que eu mesmo acumulei
o desacato com que eu nada formei
formatando
no meu jeito grosseiro de ser
foi que criei minha família em mim

e até o amor que eu ensinei me incomoda
por que eu não aceito
não quero ele de volta
quero você
quero mesmo
na minha porta
me pegando de costas
mas essa distÂncia dos meus olhos
essa distãncia eu não tolero
por isso nessas coisas do nada que acontecem em mim
nesses dias do nada
que do nada eu quero nada ser
a não ser voltar
tudo dói em estar longe
em nada
do nada
aceitar

palavras do NADA em mim,

... DE NADA, mesmo assim!

28 de fevereiro de 2009

pontosemespaço


(TEXTO E DESENHO POR TATA MUCHACHA)
... Dia após dia, escarrava aquela secreção indesejável, fazendo cuspir pregações ensopadas de desejo.Escorria nas coisas mais simples a sua compulsão, descrevendo sua vontade irritante sobre o corpo usado.Um apaixonante corpo usado pelo desprezo, vencido pelo desespero tragado de uma vida errante.Vestígios viciosos com rendas desnudas que mais pareciam o couro de um animal vulgar e vencido.

Noite após noite, em seus pensamentos, povoava a leveza daqueles lábios intocados de carne pura e escarlate. Enquanto isso outros lábios invadiam, com a língua, sua úmida cavidade íntima.Era assim que adormecia: sobre sua face enferma descansando a fúria dos seus seios em cólera, do seu peito em falta!

Não conseguindo o repouso, descrevia a paixão de seu corpo usado...


tudo não passava de um devaneio tolo de um ponto nãoseguidodoespaço

eu hei

Eu hei... Pois que há em mim o indivizível desejo já descoberto nas partes... Nos toldos das ruas da qual ando à parte
deve ter algum cinza indiscreto para revelar-me em minha arte
nunca com A de acadêmico maiúscula

4 de fevereiro de 2009

pó xadrez

às vezes decantava sua poeira sobre o meu ar
secando da manhã o orvalho que dava cor à vida
fuligem
pó xadrez do seu pigmento em mim

3 de janeiro de 2009

torpedos on line 03/01/2009



mensagem 1/2 (tentativa 1: senha incorreta/ tentativa 2: ocorreu um erro no envio da mensagem/tentativa 3: mensagem enviada com sucesso)

ainda que o teu silêncio tenha dissipado a minha coragem, não posso deixar de dizer que sinto a sua falta. E se não posso + invadir tuas águas com os


mensagem 2/2 (tentativa 1: senha incorreta/ tentativa 2: mensagem enviada com sucesso)

meus dedos, permita-me deixar-lhe o beijo mais doce de afeto que vc já ganhou. Desculpa a invasão, Tata

27 de dezembro de 2008

indizível




a leveza indizível do amor dissipou-se no peso úmido das minhas águas doídas
o nada foi trazido nos prantos para ocupar-se do posto das tuas carícias
o vazio que pus no lugar das tuas relíquias
hoje brindou a saudade de tudo que eu trouxe na língua daquela vida
ocupar-me disso deve ser recaída
ou pode ser a chuva que você fazia naquelas minhas ruas sem saída
submetendo às cores a minha alma insípida
ahhhh a leveza indizível do amor enforcou-se no peso úmido das minhas águas tingidas
a beleza fingiu-se de dor

e por fim sucumbiu-se à ela padecendo de arrependimento

se eu pudesse fazer outra coisa

insistiria em manter-me imune ao desejo da tua saliva

20 de dezembro de 2008

Torpedos: mensagens on line



Mensagem 1/3 (enviada)
trago no peito um sussurro doído de saudade ou de vontade mas que não pode esperar, por isso consola-me pensar q não te verei até q

Mensagem 2/3 (enviada)
chegue as boas novas do ano q se aproxima. E se estiver errada será bom poder antecipar o encontro com aquele q não sai mais do meu

Mensagem 3/3 (enviada)
pensamento.
desculpa
já não sei mais oq estou fazendo sigo os sopros do meu coração e não encontro freios agora bjok seu Preto feio!

Uma criatura

baseada nos últimos acontecimentos
por que não me serviam os meus aviamentos
apropriei-me do Machado para obrigar-me ao silêncio que se fazia necessário...
Bom divertimento!!!




Uma Criatura
Sei de uma criatura antiga e formidável,Que a si mesma devora os membros e as entranhas,Com a sofreguidão da fome insaciável.Habita juntamente os vales e as montanhas;E no mar, que se rasga, à maneira do abismo,Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.Traz impresso na fronte o obscuro despotismo;Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,Parece uma expansão de amor e egoísmo.Friamente contempla o desespero e o gozo,Gosta do colibri, como gosta do verme,E cinge ao coração o belo e o monstruoso.Para ela o chacal é, como a rola, inerme;E caminha na terra imperturbável, comoPelo vasto arealum vasto paquiderme.Na árvore que rebenta o seu primeiro gomoVem a folha, que lento e lento se desdobra,Depois a flor, depois o suspirado pomo.Pois essa criatura está em toda a obra:Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto,E é nesse destruir que as suas forças dobra.Ama de igual amor o poluto e o impoluto;Começa e recomeça uma perpétua lida;E sorrindo obedece ao divino estatuto.Tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida.
Machado de Assis

18 de dezembro de 2008

Cartas a um amor inexistente



Quinta, 4 de Dezembro de 2008


Querido correspontente,


Não posso mais apropriar-me das palavras. Desde aquela outra língua, que não - Eu não tinha! - mas que eu queria... Desde que não falasse quando sobre a minha... Desde esse dia, que nada mais me basta e que nada além me encontra na coisa toda da palavra rebuscada. Apenas por que as intenções antecipam os verbos e tudo o que pode ser, teria sido feito sem pronúncias... Adiante tudo isso nesse tal de agora, o fim!
Sempre tua,


Tata Muchacha

13 de dezembro de 2008

Ilustrações de QuinhoAmor em palavras TataMuchachaAmorosa (Projeto de dois amigos que se encontram nas estórias sem medo/ Status: em desenvolvimento)


Querido amor de cartas correspondentes... Meu menino lindo,

Sobre o azul da tinta e outros planetas...

Aqui estava eu de novo. Voltada à minha gente, em casa! Desnuda com a minha terra, na mata. Descalça sobre a tua pele... NA MINHA!Escoltada por aquele meu calor nos trópicos do seu Câncer... resquícios de um não-entendimento e dessa coisa toda do SEU todo nunca vivido.
Sobre os meus seios, outras línguas, também vividas como a sua, mas mais antigas e medievais na estórica CARNE MINHA!
Não expus muito as minhas capitanias, estavam feridas de uma água ardente que eu continha e estavam também nas minhas coxas sempre virgens da tua boca ida, rodada e sempre nova quando volvia.
- Como viver sem isto?-agora me pergunto - e que mal havia nas entranhas dessa gostosa euforia?

Aqui, se me faltava o teu protagonismo fóbico, estava farta a mesa de coadjuvantes potenciais à loucura do acasalamento. Aos meus relevos, era o toque enriquecedor de que necessitavam os meus dedos. Tinta azul alagada de ensejos e muitos papéis em branco para deixar a impressão dos beijos. Vivo, por isto, até que bem com a minha família.

Aqui, a geografia dos meus desejos parecia instintiva, de solo vermelho e árido. Encontros de acaso em meio à caatinga... E os seus pelos na memória dos meus cheiros, banhados por um mediterrâneo meio ao meu afeto atlântico... Sal responsável pelo aquecimento dos meus globos, glóbulos de um rubro vulcânico ariando a pesquisa das planícies... Planos que voam com os ventos rochosos das tempestades que ainda viveremos.

Como derreter esses medos?- ourta vez me questinando- e que mal havia nas ilhas esfumaçadas dessa estrondosa harmonia?

Homem-Mulher-Homem-e tudo mais...

Mas aqui estava eu de novo quando, pela manhã, sentada à minha janela e indiscreta, olhando os restos no teu prato nú e lambendo os dedos antes de entupir-me da lua e saciar-me de tu; quando soube do seu câncer e não consigo dormir. Todavia, devo escovar-me os dentes e por-me calada a tentar. Amanhã, te trago as flores e NO PEITO e pago-lhe os amores e bem-feitos.

Com amor deformado,

Tata Muchacha


P.S e por que ainda estou aqui: Aqui está um trecho de amor para o nosso projeto, para um seu desejo e um nosso jeito de viver o certo.
Pra falar de dor, ainda que enfermos, é preciso antes saber "quem pagará as flores se morro de amores".

Ainda chego logo, por enquanto, não tem jeito. Assim que em outros planetas, te vejo.


14/12/2008

2 de outubro de 2008


Ninguém, e toda ausência de vida humana aqui é bem vinda; poderia lhe dizer o que seria certo fazer. Então, começou, por si o movimento do fosse o que fosse. Assim sendo, fosse o que fosse seria assim mesmo esta coisa toda sendo...

Capítulo 1. Flores laranjas, amoras e grama.



Fosse o que fosse, a vida não passava de uma deliciosa brincadeira. Era feita de algodão -doce-de-leite, no alto de uma praça de qualquer quarta feira. Uma dessas quartas de fazer quartos na quadra, cobrir-se de risadas, entupir-se de todo o prazer até sentir que a carne está farta... Ao passar do deleite, despertar como se a Quinta que vem depois na Feira da Semana, fosse ainda a quarta, o quarto, um sonho de flores laranja, amoras e grama. Gosto de tangerina na vontade de plantar um pé de pitanga. E essas coisas todas eram o que eram: um mar inteiro de peixes só para nos saciar. Ah-mar, era como se soubesse o que era, a-mar! Uma água que ensaboava o melado fundindo em sussuros, invadindo os muros internos do medo, inserindo fluídos coloridos de todo o vapor que refletia a comunhão no banheiro do espelho. Era isso: Fosse o que fosse a vida não passava de uma tempestuosa relação ingênua entre a dor e o desejo.


Com amor em água fervendo,
Tata Muchacha