17 de novembro de 2012

depois de limpar. tua casa. faxina

depois de limpar tua casa...
faxina. 

não vai mais escurecer. alongo. escolho expansão e manipulo. movimento o meu corpo e percebo-o pintando o campo expandido. tem o branco ampliando a espuma de poliuretano. telhado vivo. verde erva-doce sobre creme ricota. pão sueco performando ruídos na boca. um pouco de força mas ainda submisso. dor nas costas diluindo e a carne despertando da clausura. 
fora um ano e meio. o cenário é pós-grandes-desilusões. os chãos ainda são os mesmos. mas as plantas não cresceram. eu não me dedicara antes a todos esses presentes q eu mereci ganhar.
não tem como me eximir de mim. vou ter que bordar teu peito por que no meu já escolhi você. por onde passeou tuas cabeças antes da hora de dormir. bordarei você, os meus bordéis. e sairei daqui. 
não vai mais amanhecer tão longe assim das horas. e vai comungar. vai limpar e vai buscar do apreço em África o olhar que eu vou merecer alcançar na tua retina. 
fui até o Rio de Janeiro, onde uma dama da noite de acompanhar, flor de uma só noite que me foi dada e pela qual, para assistir terei q esperar todas as luas. 
fui também lá onde vende papel, onde a casa é grande mas só cabe a cama, o quarto-suíte e as lamentações ensimesmadas. lá faço bolinhos de chuva e limpo sua casa.
queria dizer muito mais. mas não vai mais escurecer. alongo. expando. e vou movimentando o meu corpo pintado pela espuma branca de poliuretano. o meu telhado é vivo. performo o teu umbigo.

depois da primeira metade.

não é que só sei amar. pensar as relações. procurar a fórmula de inscrevê-la no contemplativo. mas era tarde e nem tanto. se minhas glândulas estavam entupidas. desincharam. muito esforço foi feito para manter. nada havia pra ser feito que pudesse segurar. desfazer os nós que lembravam-me todos os dias as costas. "UM BOM COMEÇO É A METADE" ainda ASSIM. não durmo. não silencio o diálogo. converso com seu sono depois de contar todo segredo. SÃO Meus dedos: eles tem memória! registro do que procuram. estão em você. como os seus por uma, uma só letra de diferença. 
naquela noite era resignação. o ar quando soprava gemido não era ensimesmado. era chegada a hora maturada.um beijo em cada espaço reconhecido no tato. hoje acordo vazia. cheia de espaço para tudo que há de chegar. só sei amar. cada poro. a pele é sempre cheia de histórias e caminhos. ME ENSINA A DESACELERAR. meu jardim me espera. há uma dama da noite que precisa cuidados. uma samambaia que tem o histórico da minha chegada. uma mini rosa. uma forragem. eu não quero residência fixa. desde já preciso sair e voltar.

13 de agosto de 2011

viva até acabar com a mesma vontade de nunca terminar

tantas estações num mesmo dia
calor
com você
você
e eu
e minha piscina
e um convite intimista para seu mergulho
sua entrada e saída
charme da idade e outras vindas
frio medo
elegante gente nova
quadrados projetos
modernos projetados
croquis de uma nova paisagem urbana
"não quero ganhar o concurso
só quero falar da idéia que há tanto tempo me persegue"
uma cidade pode ser projetada?
formas cores
e uma vida toda utópica
espaços cheios de idealismos
forma é função
folhas são secas
flores estão novas
ruídos do silêncio
sussuros de desejos
sonhos de valsa-vazios
promessa de um dia o mesmo beijo
solícito sempre mesmo e esquisito
as vezes pastel de queijo
hamburguer de soja
semente de girassol
batata frita e algunsdeslizes permitidos
chá de umbigo, peitos caídos o mesmo convite ao proibido
outras propostas quase trinta sempre nova
um dia possível um sabádo só filme e uns amigos
gastos supérfluos prazeres necessários e figo
portishead, caartola, mangueira e um esguicho
mestre de cerimônia notoriedade outro umbigo
encontros desencontros
dançando no escuro
homem bonito
dez horas é tarde nem sempre é tão cedo
e o corpo acorda pedindo abrigo
e dorme com o dedo no seu próprio orifício

as vezes penso que sou tropical
mas disso tudo
meu grande amor, eu sempre sou o que não desisto!



1 de agosto de 2011

Concedendo você e eu

video



um mundo invadido por letreiros multicoloridos, prometendo cambiarquasetudo
mas                            somente o que puder transitar com rapidezsemoutrossentimentosvalemsomenteoscincosentidos.
Exacerbação do tato,
Inflação do contato
ou especulação do imprevisível?Oque vivemoshoje traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços                   humanos... sinais disléxicos, confusos...Você e eu ficamos cada vez mais "flexíveis"?geramos e proliferamos a cólera da insegurança.somosbichosferidos!nossos medos perderam-se nos resíduos líquidos de uma                       modernidade                  já superadaE no contemporâneo nos sobrou um mundo gasoso... 
- Sim! Nossos bailes foram povoado por vassouras.eelas desfilam consumindo-nosnas melhores formas que o corpo humano já pôde alcançar expor.      velados pelo desassossego de querer sempre alguém que sirva para não sermos “barrados no baile”. Para não ficarmos sozinhos na boate. Tudoéprazer,consumosexualeimediato                                 asnossas raríssimas preces: Papai do Céu, que nuncanos falte a vassoura e que elas intercalem nossos desejos mas nunca interrompam quando alguémpialgo “O” melhor puder nos tomar pra 1 dança.Estranha noção de Espacialidade. O excitante é ORECURSO que nos invade por hormônios nas vitrines de drogarias.    

E a verdade é que já nem nos vemos mais. Trocamos dedilhados em teclados de nos propor on e offline,e ...já podemos ir sem nunca ficar.                     Mas antes, A   N   T   E   S que esta seja só uma mera e triste constatação do que deve ser esse vazio que por vezes sentimos, venho LHE propor todos os MEUS dias.

Tata Muchacha

“você e eu” é um projeto de relação pra toda uma vida.
“e chá de mim” uma proposta permanente de permear “você e eu” e virar bebida.


Execução da Tatuagem: Tati - Pigmenta Tattoo
Vídeo e Edição: Nata de Lima

18 de julho de 2011

fazendo chá de mim com amigo

'Nós estamos voando alto
Nós estamos vendo o mundo passar por nós...'

video

(simbolismo / bule / xícaras / chá de mim e seus momentos / depeche mode)

quem será que vai comprar...

hoje aceitei um novo trabalho
vender imaginários.
quero saber quem paga para imaginar comigo um mundo melhor
uma vida diferente
outros nomes para pastas de dente

quem são as pessoas que vão financiar a minha ida
de onde vem os cheques que me trarão a China
quero estar de partida para onde a minha história ganhará outras tantas coisas substantivas
terei então a aventura de escolher outros sonhos
de ter sido a escolhida
e serão todos eles
a partir de então
outros dias
que não esses que nos separam

hoje aceitei que teus dedos nos meus caminhos
são também meus medos no teu umbigo
e justo hoje que já me agoniava estar deitada por aquelas horas
despertei-me sem vontade
sem destino
e antes de lavar o rosto
olhei-me para lembrar que EU já devia saber
como é que deve ser bom chegar nas águas do teu submarino
banhar-me no seu menino
e quem sabe se tudo der certo
levar o meu

hoje aceitei outras vias
então...

hei de ter outros anseios que não só esse
de me ver em você perseguindo os teus braços
sentindo enfim os teus espaços
acabar com esse tempo de deveres
demasiadamente demorados
tempo de prazeres escassos

não só ver
mas VOCÊ
teR
andar o dia inteiro para então deitar-me no seu peito
e ser
e perder-me no seu infinito
cozinhar teu intimo
emaranhar meus pés no teu chulezinho

hei de ter muitos planos para desfilar com todas aquelas meninas
que te olharam e te despertaram
enquanto eu não estava a chegar

hei de dançar a salsa mais bonita
em que em teu homem fez-se homenagear
E olha que já pesquiso as esquinas por onde vais passar
e saberei por fim quantas vezes a máquina bate
até a tua roupa terminar de lavar

eu acho que já até sei qual a palheta de cores
com as quais me vestirei de dentro do teu armário
sempre e todo dia na China
trabalhando duro pra te acompanhar

hoje aceitei um novo trabalho
vender muitos
mas todos os muitos
muitinhos
muitões
muitos tantos
tudo muito
todos quantos eu puder...
... de imaginários

só pra poder encontrar
ou pra avaliar se há uma embarcação de vida pra mim
no teu mar

portanto
de hoje em diante ficarei feliz com cada cartão que passar
e prometo levar escrito cada nome que pôde pagar
pra esse comigo te achar
ou só pra poder deixar de só imaginar...


4 de junho de 2010

interrogativo auto-conhe-cimento

queria dominar-se

e instantaneamente ou denovo não se reconhecer no novo de seu dominio contemporâneo

queria ser livre

não de tudo

mas do medo que podia cegar seus sonhos

secar seus pensamentos

insistia em reinventar-se nas cinzas das coisas
do cigarro
no bege do alcatrão
que imprimia quando pensava na única maravilha da vida
A VIDA!

e formava pessoas SEMPRE
nos tons que se projetavam no chão q ela tanto conhecia
assim o que era duro ela coloria

e de poder faze-lo já não mais dormia

queria encantar o tudo

mas nem TUDO era o que ela assim queria

o que podia tocar?
e sera que tocava O TUDO a que se permitia?
o que se permitia?
o que a permitia?
o que encantava?
o que se encantava?
o que mais a encantaria senão a dor e a delícia de estar assim
VIVA!
queria da SUA ANGÚSTIA ALGUMA GRAÇA
a graça de estar sempre ALTIVA?

de sentir que era Sua senhora
ou mais uma menina

pois se nada sabia controlar ou dizer que não o que a fazia entorpecer

e disso entendia
e sabia que ainda podia muito mais
podia com as cinzas
com O tal do cinza
gosta agora do bege
sempre a linha do preto
ou as sobreposições coloridas neon
ou pastéis...
sem fritar
embora a fritura faça engordar
até aqui satisfastóriamente
sabia
o que mais saberá

maiúsculas sim





UM outro VENTO DANIFICA OS DEDOS
OS MESMOS medos E estranhos PESADELOS
A MORTE faz-se sempRE O NOVO COMEÇO
E nada FAÇO OU CONSIGO FAZER DO QUE VEJO
percebo O TEMPO ACUMUlando fragmentos
SOPROS INÚTEIS DE PESSOAS SEM ARREPENDIMENTOS

NESSA igual SOMATÓRIA DE ANSEIOS
QUE tolices que AINDA NÃO VEJO?
ouço lamúrias de quem NÃO TEM PEITO

SEMPRE ENVOLVIDA pelos meus destemperos
SEMPRE EMITIDA NAS COISAS QUE QUERO

QUERO SUAS ÁGUAS DE COR E PRETO
meus pés de NANQUIM, DOR NAs MÃOs E outros SEIOS
JÁ NÃO CAIDOS
PELOS RUÍDOS QUE OUSAM ME TORTURAR ANTES MESMO DE EU TER ME PRONUNCIADO
são coisas de DOÍDOS
senTIDOS
POR GUARDAREM-SE NUM PEITO DEMASIADO INFARTADO DE EMBASAMENTO
ANGUSTIADO POR NÃO TEREM VALIDAÇÃO NESSE HOJE-TEMPO

O DESESPERO PORÉM DESPEJA-SE NUMA ÁGUA DE ESCORRER NO SEIO
VONTADE DE QUEIMAR OUTRA FACE
QUE FACE É ESSA QUE TENHO?
O QUE é isso que TENHO QUE NÃO TE MEREÇO

NÃO RE-CONHEÇO E NÃO DESISTO?

QUE PONTOS SÃO ESSES QUE INTERROGAM E NÃO RESPONDEM NADA NUNCA
NÃO USAREI-OS NÃO HEI DE USÁ-LOS NOS MEUS PELOS...

CONTINUAREI SENTINDO O FRIO QUE SEGURA MEU CORPO NOS DEDOS
AINDA CONGELADOS
ANSIANDO POR ALGUM SOL

ANTES DISSO PEÇO ACREDITAR QUE O QUE NÃO SE EXPOÕE SE GUARDA
E OQUE NÃO SE PERDE SE TEM
TER O QUE É MEU E NÃO BUSCAR OUTRA HORA UM SEU LUGAR
MINHA AURORA HÁ DE CONTEMPLAR OUTROS DIAS LONGE MESMO
DENTRO DAQUI
OUTRORA EM QUALQUER REFERÊNCIA
ADORAVELMENTE ASFIXIANTE
E DESONESTAMENTE MENOS DESQUALIFICANTE DESSE MIM
QUE PRONUNCIAS
O QUE FARIAM MEUS OUTROS DEDOS
SE DEIXASSE ELES SEGUIREM?
ONDE ESTÃO?
POR QUE SE CALAM E TEMEM?
O QUE QUEREM TOCAR?
TOCO DE QUALQUER FORMA TODA INCANDESCÊNCIA ALGOZ DE MEUS SONHOS GUARDADOS
resvalados ou eNSANDECIDOS
DESVELADOS para os teus ESCONDIDOS
ATÉ DE SEU SUBSTANTIVO PRÓPRIO
já quero outros DIMINUTIVOS

JÁ NÃO ENTENDO
MAS ANTES QUE PINCELE SEM O MEU CONSENTIMENTO
FAÇO UMA PAUSA PARA O NÃO-CIGARRO E SEU MAIS NOVO COMPANHEIRO ANTIGO
- MUITA ÁGUA PRA TE DESAMARRAR... POR FAVOR!!

pode ser bala de café

3 de abril de 2010

sem sequencia

quando a chuva que cai e vem do seu
de lá de fora
aqui na minha casa pronta e acompanhada
sinto molhar minhas rosas
e a sua água que invade o seco da minha casa
permeia o chão cansado dos pés
a se ele soubesse que chove em mim
quando ele me pensa
e se ele quisesse beber-me
envenenar-se do meu chá de mim
o que será que seria inconsequência?

25 de fevereiro de 2010

não sei mais escrever

chega
não posso mais me esconder
não sei escrever
não trago você aqui
não tem nada em mim grandioso para lançar um livro
chega
não posso mais entender
não sei de você
não te vejo mais aqui
chega
não sei mais escrever

18 de fevereiro de 2010

que nome vc daria

retalhos de uma dor provocada nos ouvidos
o que doía era o que ouvia ou o que adornava seu aparelho de escutar?
respingos de uma tintura amarelada para diferenciar seus pensamentos
o que clareara seriam as idéias ou os fios de seu objeto de fazer pensador?
resquícios de um desejo ínfimo ?
de esgotar-se em si em palavras?
dissolvê-las em ferventes águas?
em um líquido de beber-se
o que queria era embriagar-se de seus próprios devaneios
e encontrá-los num palco de um cabaré
ou era o que queria
apenas dopar-se...
Para fazer dormir seus pesadelos de menina
que nome vc daria?
que nome eu teria
que nome era o seu para essa contextualização de minha vida?
eita, porra... que coisa chata essas mesquinharias...
que coisa boa!

5 de fevereiro de 2010

tolices DE SER O MUNDO DE UM SER DE ABSURDOS

não podia
não era majestosa
nem se quer queria
mas na mediocridade de suas bactérianas idéias
conhecia-se tola
e sabia por tolice
o sinônimo mesmo de todas as coisas
coisas = do homem= do mundo
a certeza de que tudo pode tornar-se um absurdo
é por não - não ter outra referência
não ter outra ciência
que não a sua
surda!
era da dor o que tirava o seu estranhamento
era dor que produzia seu contentamento
era agonia
tristeza também
isso era o seu absurdo
o imundo íntimo de uma natureza sempre igual
isso quer dizer humana
acúmulo desigual de tempos
asfaltos concretos
o verde natural sempre foi fundo e não folha
aaahhhh...
era bonito encontrar-se nessa misereza toda
e todo era o ser
o tolo
tudo isso era tudo o ser
igualmente inventado pra doer
e o seu ser?
esse era ou foi ou seria e será o sempre o seu jeito!
seu de ser tola
seu de mundo
de trocar e ter idéias e trocar de idéias
seu de absurdo
de Imundo
e o SEU, tolo,
- QUAL HÁ DE SER?

21 de janeiro de 2010

E mais uma vez tornou-se outra, e dessa vez Tinha



quando não podia
ou quando temia
lamentava viver num marasmo brutal
ausente de fantasias
e
nesses dias
fazia questão de não se lembrar
logo não demorava muito
sua vida logo esquecia
só pra inventar-se
e era como queria
no meio de suas volupiosas ruas interventivas
calçava-se -se de todos os sonhos
de todos os monstros que tinha
e o amor que por lá sempre fez sua caminha
era dela devoto
e o seu era entregue por um carteiro
que se chamava Demasia
a realidade
ali
tão cheia de verdade
pura em si
ou seria ela tão burra?
se fosse uma coisa
seria uma intempestiva-colorida-de-letreiro-neon-macia
o que mais a fazia sentir?
o que sentia se
sentia-se
era
assim
tão áspera como a seda que a vestia
tão ríspida quando ternura que a envolvia
tão frígida quanto o desejo que ela expurgava
tudo fazia quando esquecia
tudo dizia inventar
até um jazz na vitrola da vodka
no pé do samba
um palco pra tomar o seu chá
no ouvido do pé
até uma xícara de cigarro
e uns meninos-de-café
então decidiu:
Tata
mais
não!
ela era...
mais uma vez outra
e dessa vez
T I N H A
e de Muchacha ainda
pois não descasara de sua porção medíocre e latina
Tornou-se mulher do raio
bailarina de um xequeré
e seu pandeiro cantava como um chocalho
Então Tinha por que?
era Tinha não de te-tinha
mas de pre-ta que era
de miudinha
e não de passado
agora alguns de seus meninos também eram chiclés
por que Tinha herdara de seu Orixá-Pai
a esquerda de todos os santos
e seu lindo Cabaret!

Com devoção virada,
Tinha (ainda) Muchacha

sem mais outra vez

outra vez suas besteirinhas
suponho que não saiba
não pode saber outra coisa além do que cabe o mundo que gerou você


que não pode suportar nenhum outro gosto
que não o das folhas
insípidas
mexidas pelas suas besteirentas brisas

outra vez suas besteirinhas

besteirinhas tão pequenininhas assim
acabam por incomodar mamãe
e quando ela vem precedida do adjetivo MINHA
se fala da D. dos Ventos
e eu como sua filha
e eu sou seu ensaio tempestuoso
uma quase-tempestade-menina

e...

Meus anseios são atrovoados
meus medos são...

raios
outra vez suas besteirinhas

ai que coisa chata são elas
exclamo

mas incomodam pois fazem cosquinhas
e destruem as minhas saborosas folhinhas
sem a menor prévia necessidade compreendida

acho que quero com a mesma desnecessária vontade
e sem mais
sem nenhum outro-outra vez
sair dessa vez

antes que seja tarde e a minha tempestade
avaste tudo
essa e a minha VEZ!

2 de dezembro de 2009

desenhei com dois i

não tem você aqui
fui eu quem abusei de mim

lambusei
mas
descobri a delicia indiscreta das minhas feridas
e
se não me engano
não vi seu vocÊ por aqui

eu andei de tatu
fui ao japão com bicicleta
ganhei um beijo escondi-o na perna

e nada de você em mim


desenheii e voou meu balão na pedra
comi arroz no dia da festa
chamei seu vizinho de... besta
e o resto acho que esqueci!

parti...
deixei pra você
por aqui um pedaço
da minha festa

e do doce-delicia q me fez sair...

2 de novembro de 2009

essa sua não visita

hoje empenhei-me na derrota
não compro briga pra amor
se amar for desprezar meus dedos que tanto lambusaram você por aqui
posso estar errada em quase tudo
mas posso também saber quem sou
essa é a dose mais silenciosa da minha própria pessoa em-bebida
e foi aqui,
nessa mesma localidade onde me-sei-de-mim-minha
foram nesses dias
que não encontrei você
ao invés de consumida a flamejantes insistentes desesperos
troquei la-grimas por la-ranja ou c-vitaminha
e agora
essa tinta-minha não se exita mais com a esperança da sua visita
e sim
teme tingir vocÊ nessa pequena agonia
leve tristeza constatadora de estar viva
de estar sozinha
de você amargar
hoje lamento empenhar-me em não querer mais
ainda sim, nessa minha cozinha onde fervo as águas
de passar o meu chá
há uma geladeira
que teima em te conservar
devo estar errada em crer que perecível sendo
uma hora não vindo ao meu prato
ainda há de estragar?
No aguardo

que.. vc bem que... não aparecia!

nenhuma visita sua
tardia hora escolhida para me observar
maldita eu
que aqui
sempre te faço referência despida
palavras de uma minha tão desnuda
dedos tão fracos
mas tão embebidos em fartos d-de-desejos
mas com você só privações
temo pelos dias que virão me trazer indícios
de que eu nada deveria esperar
de que ceguei a ponto de não notar o desprezo que você...
que você bem que podia
que...
vc não apareceria
que
nenhuma visita sua?
será mesmo essa a sua triste comovente saída?

3 de setembro de 2009

nos outros contos

reverberavam em mim como em ebulição
exitando-me
provocavam ali
no centro cardíaco da minha U.T.I
uma movimentação que pareciam aguçar meus íons
revelaVA os negativos de uma angústia
que parecia que podia ser

minha




as imagens que surgiam nas fotografias das memórias
que essas sim,

sabiam-se minhas
acusaram
enfim
a sempre presente formação torrente
dos tor-nados intempestivos de uma fúria-de-menina
ventos de corrente?
monho de manto
coberta da angústia
que sob muito custo
e que até então
estava...
era...

Adormecida

será que era bela como nos outros contos?

23 de julho de 2009

mas era preciso

nada permaneceria no lugar
nada do que eu havia percorrido
nada sobreviveria ao julgamento
nada do que deveria ser selecionado
nada para guiar a novidade
nada para abrigar outras cidades
nada

nada de nada
sinônimo de coisa nenhuma
de algum... NADA

mas era preciso

era preciso
era preciso
era preciso
eu preciso era
eu era
eu hei de encontrar outras chaves
ou compraria outras portas?

13 de março de 2009

Coisas do nada em mim

nesses dias nada
era também o que me bastava
não suportava o atraso do meu pensamento
o descaso que eu mesmo acumulei
o desacato com que eu nada formei
formatando
no meu jeito grosseiro de ser
foi que criei minha família em mim

e até o amor que eu ensinei me incomoda
por que eu não aceito
não quero ele de volta
quero você
quero mesmo
na minha porta
me pegando de costas
mas essa distÂncia dos meus olhos
essa distãncia eu não tolero
por isso nessas coisas do nada que acontecem em mim
nesses dias do nada
que do nada eu quero nada ser
a não ser voltar
tudo dói em estar longe
em nada
do nada
aceitar

palavras do NADA em mim,

... DE NADA, mesmo assim!